terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A Libertação de Deus em Cristo

Título – A Libertação de Deus em Cristo
Referência – Rm 8.30,31
Tema – A liberdade de Deus sobre os seus eleitos
INTRODUÇÃO
1.    A liberdade é um sonho controverso em nossos dias. O mal entendimento dela tem desembocado na promiscuidade. Muita gente entende liberdade como sendo a capacidade para agir segundo as suas paixões. Daí, muitos serem escravos das drogas, do sexo, da mentira, etc.

2.    No contexto cristão, liberdade ganha um sentido pleno, pois o que cada cristão recebeu de Deus produz o livre exercício de sua “vontade original”. Com o novo princípio de vida que recebemos de Deus nada nesse mundo pode alegar direito sobre nós.

a.    Por isso, Cristo já ensinara: “... conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). Da mesma forma, Paulo ensina: “... se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl 5.18). Assim ele pôde concluir que uma vez libertados do pecado, fomos feitos servos da justiça (Rm 6.18).

3.    No texto que lemos, Paulo mostra como Deus agiu para conceder liberdade aos seus eleitos (v.30). Em todo o texto ele deixa claro que a ação de libertação foi, e é operada por Deus.

4.    O resultado dessa libertação foi a certeza expressa em forma de pergunta: “... Se Deus é por nós quem será contra nós?” (v.31). Em outras palavras, se foi Deus quem preordenou o mundo para que pudéssemos ouvir a sua voz, se foi ele quem nos justificou em Cristo e nos deu a glória eterna, quem terá capacidade de negar esse fato em nós.

5.    Diante disso, fica a verdade de que todo cristão vive na liberdade de Deus. Por ela a sua alma não tem o que temer nesse mundo.

Gostaria de refletir um pouco sobre como podemos receber a liberdade de Deus em Cristo?

I. A LIBERDADE DE DEUS É DOADA SEGUNDO O SEU PLANO ETERNO (v.30)

1. As palavras de Paulo são categóricas, quando se referem a “predestinação”. A predestinação é o ato de Deus determinar com antecedência o que irá acontecer. Ao se referir àqueles “que amam a Deus” (v.28), Paulo tem em mente o fato de Deus, desde a eternidade, ter pensado na salvação deles.

a.    A predestinação não é uma doutrina exclusivamente paulina. O salmista Davi fez menção a ordenação das circunstâncias da vida como uma ação de Deus (cf. Sl 56.8; 139.16); Salomão ensinou que o Senhor é quem faz todas as coisas (cf. Pv 16.4); os apóstolos, também ensinaram a mesma doutrina (cf. At 4.28).

2. Antes que a benção da liberdade de Deus ocorra em nossa história, é preciso que estejamos inseridos nas determinações de Deus. Pois só tem liberdade aquele a quem Deus escolheu antes da fundação do mundo.

3. Todos os que vivem a liberdade de Deus, vivem na certeza que é um eleito de Deus. Sua vida é um manancial do Espírito que flui a vida do céu. Assim recebemos a liberdade: quando somos eleitos por Deus na eternidade.

II. A LIBERDADE DE DEUS É OFERTADA PELO CHAMADO DO EVANGELHO E DO ESPÍRITO (v.30)

1. O chamado Deus é resultado da operação milagrosa da palavra e do Espírito. Por meio da exposição da palavra o Espírito opera no coração do pecador, dando-lhe um novo princípio de vida que lhe faz amar a Cristo por tudo o que ele fez, bem como obedecer a sua vontade (Jo 16.8, 13)

2. Ser chamado não é o bastante para receber de Deus a salvação. É preciso que o Espírito nos convença e nos faça cada dia mais santos. Com disse bem o Rev. Hernandes Dias Lopes: “A não ser que você seja santo, não terá nenhum sinal da eleição sobre sua vida” (LOPES, 2008. p. 102).

3. Precisamos ter a cada dia a certeza que o chamado de Deus veio sobre nós por meio da operação do Espírito em sua palavra. Os cristãos não podem compreender o seu chamado como uma adesão institucional, mas como uma transformação espiritual operada por Deus. Assim, viveremos a liberdade de Deus ofertada pelo seu evangelho.

III. A LIBERDADE DE DEUS É CONSUMADA PELA JUSTIÇA DE CRISTO (v. 30)

1. Para que a nossa relação com Deus fosse estabelecida, ele precisava no harmonizar com a sua justiça. Deus precisou nos fazer santos como ele. Para isso nos enviou Jesus, para que por meio dEle pudéssemos ter paz com ele (Rm 5.1).

2. Em consequência da paz que Cristo nos deu pelo seu sangue, podemos fruir a liberdade de Deus nessa vida. Fomos “justificados” pelas mãos do Senhor, para que pudéssemos nos relacionar com ele. Nada nesse mundo, ou na eternidade pode impedir o nosso acesso ao Pai. Isso garante a verdadeira liberdade nessa existência.

3. Devemos fugir de qualquer religiosidade que queira nos escravizar. Não podemos voltar ao legalismo dos fariseus, que os faziam hipócritas quanto aos seus próprios pecados. É preciso viver uma religião que valorize a integridade do homem físico-espiritual. Desse modo, a justiça de Cristo em nós será uma evidencia da liberdade de Deus.

IV. A LIBERDADE DE DEUS RESULTOU EM GLÓRIA ETERNA SOBRE OS ELEITOS (v. 30)

1. O fim da vida cristã é a glória de Deus. Por isso temos a promessa da “glorificação”. Paulo nos fala no plano eterno que já fomos glorificados (v. 30). Ou seja, Deus já nos vê glorificados no seu filho.

2. A glória que devemos alcançar é semelhante à de Cristo. Isso implica no tempo presente que devemos buscar a glória do Filho em nossos pensamentos, ações, e atitudes. A glorificação não deve ser um alvo para a vida eterna, apenas. Precisamos transformar o nosso corpo corruptível em corpo santificado aqui e agora.

3. A nossa semelhança crescente com Cristo é um termômetro que mede quanto temos glorificado as nossas vidas. Portanto, quem busca a semelhança com Cristo pode gozar a liberdade de Deus em sua vida.

CONCLUSÃO

1.    Somos livres pelo poder do Espírito que opera em nós. Não vivemos mais dominados por nossos pecados. Deus nos libertou pela salvação em Cristo. Nele fomos justificados para a glória do Pai.

2.    Portanto, não caiamos nas armadilhas desse mundo que quer nos fazer seus escravos. Vivamos a liberdade de Deus em Cristo. Amém!

Referências:
LOPES, Hernandes Dias. A felicidade ao seu alcance. São Paulo: Hagnos, 2008.

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